quinta-feira, 17 de março de 2011

Não tenho a recordação da primeira coisa que preparei sozinha mas, desde que aprendi a cozinhar, sempre usei comida prá demonstrar o quanto gosto das pessoas. Algumas pessoas simplesmente dizem eu te amo, outras compram presentes caros. Dentre todas as demonstrações de afeto possíveis, a que mais faço pelas pessoas que eu amo é cozinhar prá elas...

É meu ritual mais sagrado. A escolha do prato, a seleção dos ingredientes e toda a minha doação para o preparo têm que produzir efeito em quem estiver comendo. Foram muitas as vezes que preparei pratos que não gosto de comer e por isso sequer provei, mas o fiz em nome apenas do prazer de acarinhar alguém. Quantos bolos de fubá cremoso integram essa lista eu não sei precisar mas me lembro com muita clareza da carinha de satisfação, do pudor em pegar o segundo, o terceiro e o quarto pedaço e do quanto tudo aquilo me fazia feliz.

Minhas memórias afetivas tem muitos sabores e quisera eu tê-los todos a minha disposição numa prateleira organizadinhos como os meus livros de receita prá que eu pudesse sentir o gostinho sempre que tivesse saudade.

Hoje por exemplo queria o mais simples dos afagos, a comida da minha mãe: arroz (um arroz soltinho temperado com salsinha), feijão fresquinho (consigo sentir do cheiro de coentro que vem quando eu abro a panela) coentro aliás é algo que aboli da minha cozinha mas que definitvamente não pode faltar na dela e carne de panela com batata. Das coisas que me fariam feliz hoje, trocaria todo o ouro do mundo por isso e veria na combinação desses três pratos a maior das provas de amor!

Um comentário:

Anônimo disse...

Bom, só queria dizer que já me senti acarinhado algumas vezes (e não há nada de pornográfico nisso...rssss). Achei lindo o texto! As memórias tem gosto, cheiro, imagens que não saem do pensamento e tem o poder de emocionar. Concordo com quase tudo. O quase é porque eu adoro coentro!!!

André César