sábado, 6 de agosto de 2011

Chocolate, o 1.º sabor americano a ganhar a Europa

Na Espanha, não servir chocolate a um convidado era falta de cortesia. Sua preparação e seu consumo faziam parte dos encontros aristocráticos nos pátios castelhanos. O painel de azulejos “La Xocolatada”, de 1710, ficava exposto na fazenda do marquês de Castellvell, na vila de Alella, próximo a Barcelona. Visível para os visitantes, a imagem dava um recado: os rega-bofes do marquês deveriam acontecer dentro do decoro apropriado a pessoas civilizadas; relações entre nobres exigiam trajes condizentes com sua condição social, perucas, gestos contidos e, obviamente, talheres adequados, uma febre da Era Moderna.

Mais do que em outros lugares, na Espanha a “cortesia” – comportamento próprio de pessoas da corte – incorporava um elemento fundamental: o chocolate. Ali viviam os maiores apreciadores da guloseima americana. Segundo cronistas, os espanhóis haviam levado o preparo da bebida à perfeição, e sua ingestão era rotina tanto nos círculos domésticos quanto nas ocasiões sociais importantes.

O evento representado combina dança, galanteios, banquete e conversas, mas o chocolate ocupa lugar especial. A festa segue as normas da cortesia, inclusive com a presença de oito cães de companhia (símbolo da nobreza por excelência), e tem no chocolate seu elemento central, sendo, possivelmente, o motivo do encontro e, certamente, grande atrativo para os comensais.

O papel dos nobres retratados não se restringe a bebericar o chocolate, cena destacada em um dos detalhes, ou desfrutar as outras delícias; os nobres, em atitude rara entre as “pessoas de maior qualidade”, põem a mão na massa: o outro detalhe mostra um aristocrata misturando os ingredientes em um recipiente sobre um fogareiro, enquanto outro, agachado, serve as xícaras, que são levadas por outros cavalheiros até as damas. Em uma sociedade absolutamente dependente de serviçais, a cena revela a importância dada ao chocolate – ou apenas uma vontade incontrolável de estar mais perto dele.

Disponível em:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-doce-sabor-da-america

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