segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Buenos Aires, Argentina

Depois da língua, o elo mais forte entre um homem e sua cultura é a comida!


Se comer é diferente no município logo ali ao lado, imagine em outro país. Em 2005 fui à Argentina e colecionei boas histórias quando o assunto era comer... foram 5 dias sem arroz e feijão, comendo muuuuuuiiiiiiiita carne e tomando pouquíssima água. Além de cara a água argentina tem um gosto esquisito!


Primeiro dia em Buenos Aires, saí para tomar café. Foi hilário! Sem falar uma mísera palavra de espanhol pedi café, pão e manteiga. E quem foi que disse que na Argentina eles comem pão com manteiga no café da manhã??? O dono do estabelecimento na maior boa vontade do mundo explicou que não tinha pão e nos ofereceu as tradicionais medialunas. Um pão semelhante ao nosso croissant mas extremamente doce.


Depois de insistirmos muito ele disse que só tinha pão amanhecido. Não tivemos dúvida. Dissemos a ele que bastava passar manteiga e colocar prá esquentar na chapa. Ele fez exatamente como explicamos, um tanto quanto discrente de que isso dava certo e podia ser bom mas mudou de idéia logo que viu a nossa cara de satisfação! Apresentamos ao hermano argentino, o pão na chapa!



Abstraiam a nossa cara de cansada (foram 5 dias bem vividos, muito mal dormidos e a essa altura só dava prá parecer bonita com muita maquiagem) e foquem na casquinha do sorvete! É assim que eles servem 2 bolas de sorvete e não como a gente, uma em cima da outra. Achei genial! Eles desconhecem aquela sensação de os sabores se misturarem e você por um instante não saber do que é o sorvete que você está tomando!



Mas a melhor de todas as histórias tem a ver com ele:


Embarcamos num ônibus nos arredores do Caminito em direção à Recoleta (íamos ao cemitério visitar o túmulo de Eva Peron). Conversávamos tranquilamente quando eis que um homem, empolgadíssimo, interrompe a nossa conversa. Disse que era brasileiro, que estava a 10 anos na Argentina e que encontrar um brasileiro em Buenos Aires era uma forma de matar a saudade da terra natal.

Enquanto falávamos sobre o que tínhamos visto e o quanto estávamos maravilhadas com aquela cidade ele enumerava todas as coisas de que sentia falta do Brasil. O choque foi quando, sofridamente, ele disse que uma das coisas que ele mais sentia falta era: chuchu. Em Buenos Aires era muito difícil encontrá-lo e quando se achava em algum lugar era muito caro, diferente do Brasil que chuchu dá na cerca! Ele listou todos os pratos possíveis de serem preparados com chuchu eu só pensava... o que seria da minha vida sem ele (prá quem naquele momento estava tão decidida a morar na Argentina essa era uma preocupação bem pertinente).


O fato é que, sempre que me lembro dessa história, faço chuchu quase como um ritual de despedida porque se Buenos Aires me quiser, eu vou prá lá agora!

2 comentários:

Jacqueline disse...

Menina, eu adoro chuchu!
Que engraçado isso de não ter na Argentina. É vivendo e apredendo, por isso viajar é minha paixão! Comendo então, fica bem melhor.

Evelyn Lauro disse...

Como vc é boba, medialuna foi a coisa que mais me deixou saudade da Argentina e vc pediu pão na chapa que pode comer td dia aqui - choquei - kkkk