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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

TLC - Travel and Living Channel


A poucos meses, aqui em casa, assinamos a Sky. E eu como sou amante da TV já fui logo ver quais canais tinham no pacote que escolhemos. Entre essas fuçadas achei o TLC, foi tipo paixão á primeira vista, pois logo que achei, estava passando Cake Boss! (reality show em que mostra o cotidiano de uma famosa e enorme confeitaria em Hoboken- New Jersey- EUA, onde o chef  é nada mais nada menos que Buddy Valastro !)
Esse canal tem vários programas ligados a culinária, viagens e mudanças em vários sentidos. A única coisa ruim dele e em todos os canais pagos são as propagandas repetitivas e as várias reprises do mesmo episódio de um determinado programa.

Bom, é isso, cada dia vou postando um programa diferente aqui no blog para que vocês conheçam esse canal cheio de cultura !



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Alimentos Integrais

Alimento integral é aquele que não teve sua estrutura modificada no processo de industrialização e manteve as vitaminas, minerais e fibras. Em um tratamento para emagrecer não podemos de jeito nenhum esquecer de colocar esses alimentos na nossa lista de preferências alimentares.Vamos entender o por quê disso?

Você já consumiu arroz integral? Se você já experimentou aposto que percebeu certa diferença na saciedade. Quando comemos um alimento rico em fibra sentimos que esse alimento “mata a fome” por mais tempo. Não é tão fácil para o nosso organismo digerir as fibras, o que é muito bom e nos ajuda a demorar mais para sentir fome.

Outra grande e importante vantagem é que o açúcar do alimento é liberado aos poucos na corrente sanguínea. Isso é ótimo para pessoas com Diabetes ou até mesmo para prevenir essa doença.

Os alimentos integrais são excelentes também para acelerar o nosso metabolismo (energia que gastamos para viver sem contar nenhuma atividade diária como andar, comer, trabalhar etc). Com isso o corpo gasta mais energia ajudando no emagrecimento.

Nós temos diversas opções de alimentos integrais nos supermercados como pães, massas, cereais, aveia, granola, farinha, biscoitos, cookies, etc. São deliciosos, mas devem ser consumidos na quantidade adequada. Não podemos esquecer que esses alimentos são carboidratos, que em excesso viram gordura no nosso corpo. As pessoas costumam confundir isso. Nós devemos consumir a mesma quantidade de um pão branco e de um pão integral. As calorias são parecidas, mas o alimento integral irá ajudar pela quantidade de fibra e não porque são menos calóricos. Pelo contrário, muitas vezes o alimento integral muitas vezes são um pouco mais calóricos, mas melhores para a saúde.

Não esqueçam, um pão francês contêm energia (farinha branca), sal e água. Um pão integral possui energia (farinha integral), fibras, vitaminas e minerais. Colaboram com a saciedade e mantêm a nossa saúde. Qual vocês vão escolher?

Fonte:  ANutricionista.Com - Cristiane Mara Cedra - CRN3 19470

sábado, 6 de agosto de 2011

O sorvete no Brasil.

  A primeira sorveteria brasileira nasceu em 1835, quando um navio americano aportou no Rio de Janeiro com 270 toneladas de gelo. Dois comerciantes compraram o carregamento e passaram a vender sorvetes de frutas. Na época, não havia como conservar o sorvete gelado, por isso ele tinha que ser consumido logo após o preparo. As sorveterias    anunciavam a hora certa de tomá-lo.    
  No Brasil, o sorvete chegou a ser considerado o precursor do movimento de liberação feminina. Para saboreá-lo, a mulher praticou um de seus primeiros atos de rebeldia contra a estrutura social vigente, invadindo bares e confeitarias, lugares ocupados até então quase que exclusivamente pelos homens. 
  Evoluindo a passos curtos, esta guloseima só teve distribuição no país em escala industrial em 1941, quando foi fundada na cidade do Rio de Janeiro a U.S. Harkson do Brasil, nos galpões alugados da falida fábrica de sorvetes Gato Preto.
Seu primeiro lançamento, já com o selo Kibon, foi o Eski-bon. Desde então, a população foi se tornando cada vez mais adepta: dados recentes apontam que o país consome cerca de 200 mil toneladas de sorvete por ano. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A historia do fondue !

fondue (palavra feminina que significa fundido ou derretido) foi criada na Suíça em meio à Segunda Guerra Mundial. Por causa das batalhas e do inverno rigoroso, os camponeses que moravam nas regiões montanhosas não tinham como buscar mantimentos nas cidades.
Para não morrer de fome, eles aproveitavam os restos de queijo, já que eram produtores de leite e fabricavam muito queijo. Com o principal ingrediente à mão e em fartura, acabaram inventando uma comida quente, simples, saborosa e nutritiva para agüentar o frio. A mistura ficava no fogo até derreter. Os camponeses, então, mergulhavam pedaços de pão no creme, enquanto borbulhava.
A iguaria só ganhou fama na década de 50, quando o chefe Conrad Egli, do restaurante Chalet Suísse, em Nova York, passou a servir o prato. Para complementar, criou a fondue de chocolate, que servia de sobremesa.
Apesar de ter surgido de forma rústica, a fondue se tornou uma comida refinada. Isso porque os ingredientes utilizados possuem um preço um pouco elevado, como é o caso dos queijos gouda, gorgonzola, emental e gruyèr                    

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Trabalho de Español !


Minha professora de español pediu um trabalho sobre comidas e bebidas do mundo, tem que falar de : Empanadas, enchiladas, fideos, hamburguer, champanhe, sushi, guarana, ajiaco e sangria... E TRABALHO DIFICIL HEIN ?! ... rsrsrsrsrsrsrsrs'

terça-feira, 19 de julho de 2011

A CULINÁRIA COMO ASPECTO DE INTEGRAÇÃO ENTRE AS CULTURAS DO “NOVO” E DO “VELHO” MUNDO

Para diversificar os sabores, hoje vamos de...
...Um pouco de história.

O blog tem a honra de trazer a vocês a pesquisa desenvolvida por um grupo de colegas do curso de História da Universidade Federal de São Paulo.

Aproveito para homenagear a todos que, como nós, sabem o quanto é difícil se manter na universidade, que aceitam abrir mão de muita coisa (inclusive da vida social e da companhia da família ), que pensam em desistir mil vezes por semestre mas, que se mantêm forte a espera de que o reconhecimento venha em resultados.

Parabéns galera! 



POR:
Gabriela Montalvão
Giorgia Burattini
Karina Oliveira Morais
Lídia Ananda Camargo
Lucas Alves de Araújo








INTEGRAÇÃO ENTRE AS CULTURAS DO “NOVO” E DO “VELHO” MUNDO

1. Introdução
Apesar das divergências presentes na periodização acerca do povoamento da América, sabe-se que os povos mesoamericanos remontam uma civilização muito antiga. Tais povos foram responsáveis pela formação de uma cultura riquíssima que foi subjugada com a chegada dos espanhóis em 1492.
Pode-se afirmar que a essência do pensamento envolvido no projeto de colonização em relação à alteridade cultural, baseava-se na exaltação da cultura européia e que considerava os mesoamericanos “povos de natureza servil e bárbara”, que por sua vez, deveriam servir “aos de inteligência mais elegante”.[1]
O processo de colonização da América espanhola envolveu o emprego maciço da violência, de modo que suprimiu inúmeros valores da cultura dos povos autóctones. Todavia sabe-se que os colonizadores permitiram que alguns aspectos da cultura local coexistissem com o projeto de colonização, visto que, tal mecanismo de assimilação das culturas facilitava a dominação desses povos. Em  la conquista espiritual do Mexico, Robert Ricard ilustra essa relação de coexistência nos aspectos religiosos. Embora com uma diferença tênue, esses aspectos auxiliaram no processo de catequização.
O encontro de histórias, tradições e culturas completamente distintas possibilitou de certo modo uma troca de costumes que agregou valores a ambas as culturas. Como exemplo, podemos citar os hábitos alimentares de uma e outra cultura que se fizeram complementares.
“El intercâmbio de plantas y animales, que se inicio a fines Del siglo XV com la llegada de Cristóbal Colón al Caribe, transformo profundamente los hábitos alimentarios em los dos continentes.”[2]
 Havia na América vários produtos da terra que, anterior à conquista, eram desconhecidos na Europa. Entre os quais podemos citar a batata e o milho que hoje se encontram entre os principais elementos da culinária mundial. Muitos aspectos da cultura mesoamericana foram aterrados após a conquista, contudo restaram alguns resquícios dessa cultura que, com um olhar atento, podem ser facilmente identificados. Entre eles a culinária que será o enfoque deste trabalho.

2. A culinária como forma de integração
As culinárias européia e latino-americana são reflexos de uma relação que não deve ser denominada como um processo de aculturação, uma vez que, tanto colonizados quanto colonizadores adquiriram adaptações em seus hábitos alimentares. A cozinha mexicana, por exemplo, apresenta forte ligação com os hábitos culinários introduzidos pelos espanhóis, integrando-se com tradições indígenas milenares pré-hispanicas, incluindo os astecas e maias.
Os Espanhóis trouxeram hortaliças, cebola branca, canela e carne de porco, que pode ser considerada responsável pela introdução da fritura na cozinha mexicana. Outra consideração é Cuba, um país que atrai milhares de turistas todos os anos em razão de sua riqueza cultural. Uma de suas fortes formas de expressão cultural reside na alimentação, influenciada por diferentes povos resultando em um cardápio também com paladar forte, marcante, onde predomina o uso de condimentos de origem europeia associados ao milho, feijão, pimenta e banana.
O conceito de refeição, dada a alteridade cultural, era distinto entre as culturas americana e européia. Portanto o contato estabelecido pela colonização não foi apenas um choque de alimentos distintos, mas também de como se relacionar com o ato de se alimentar.
Enquanto os primeiros viam a refeição apenas como forma de subsistência, ou seja, comiam o necessário para ter energia (salvo em rituais em que a concepção de ingerir alimentos estava totalmente ligada ao ritual), os europeus viam na hora de sua alimentação um momento de degustação e prazer. Conforme Janete Long: “Los españoles consideraban la comida uma fuente de deleite  y placer.”[3]
A forma como as duas culturas viam a alimentação fazia com que consumo de alimentos do europeu fosse maior comparado ao dos povos mesoamericanos. Contudo o contato estabelecido pela colonização possibilitou ao longo do tempo a integração dessas concepções nos hábitos locais.
Podemos dizer, então, que a culinária no caso da colonização da América Espanhola foi um fator de integração.

3. Dos alimentos trazidos pelos espanhóis
Vários alimentos introduzidos pelos colonizadores surtiram efeito sobre a alimentação do “Novo Mundo”, como a carne e os derivados de origem animal, o trigo, os cítricos, o açúcar, o alho, a cebola e alguns condimentos como a salsa, o coentro e o orégano.
É importante ressaltar que muitos desses alimentos eram originados de outras colônias européias ou de outros lugares em que o europeu teve contato e acabou por absorver certos aspectos.
Os alimentos que chegaram à América, levados pelos espanhóis, foram incorporados ao continente em função de dois principais fatores: econômico, isto é, vegetais para o cultivo intensivo, como a cana de açúcar, as videiras e o trigo e também em função de costumes alimentares, sendo necessário o comércio entre os próprios colonizadores que prezavam, por exemplo, pelo pão de trigo, pelo vinho e o açúcar na alimentação.
Os bovinos também não são nativos do continente americano, foram trazidos pelos colonizadores no inicio do século XVI, além disso, algumas raças chegaram sob a tutela de missionários jesuítas. O gado que chegou através dos “descobridores” aportou inicialmente na ilha La Espanhola, atual Haiti e República Dominicana.
Os embarques oficialmente eram realizados em Sevilha, mas segundo alguns historiadores, caravelas partiram para a região norte da Espanha, no entanto não se tem certeza se a totalidade do gado trazido ao continente americano era de Sevilha, uma vez que as Ilhas Canárias também faziam parte da rota, constituindo escala habitual, para as viagens ao Novo Mundo.

4. Dos alimentos levados da América
A culinária dos povos mesoamericanos era bem diversa e relacionada com a vida religiosa, com a adoração aos deuses. A oferenda de alimentos às divindades e aos mortos era uma das características rituais mais importantes dessas culturas.
Até os dias atuais, no dia dois de novembro os mexicanos preparam para seus mortos uma grande oferenda feita à base de comidas, bebidas e flores, tudo isso baseados nas tradições de seus antepassados.
A alimentação dos povos pré-hispânicos era composta de sementes de vários tipos, raízes, chillies, salparrilha, milho, liquidâmbar, chocolate na sua forma líquida, tomate, batata, abacate, alguns tipos de feijões e abóboras.
“Em 1554, frades dominicanos levaram uma delegação da nobreza maia para visitar o príncipe Filipe, da Espanha. Entre os objetos presenteados à corte, além de semente de vários tipos, chilies (tipo de pimentão de sabor picante), salsaparrilha (tipo de bebida não-alcóolica e doce, preparada com diferentes tipos de raiz), milho, liquidâmbar (planta da família da hamamélis) e 2 mil penas de quetzal (ave trepadora, típica do México), a oferenda mais valiosa foram os recipientes repletos de chocolate batido.”[4]
Apesar das diferenças regionais da comida americana pré-hispânica, a alimentação era basicamente vegetariana em todo o continente, com poucas fontes de proteína de carne animal, suprindo essa carência através dos cereais e das leguminosas.
Entre todos esses alimentos podemos destacar o milho, o chilie, o chocolate e a batata, que foram alimentos fortemente introduzidos nos hábitos alimentares espanhóis e europeus, sendo posteriormente disseminados pelo mundo todo.
O milho, cuja origem data de aproximadamente 7.300 anos atrás, tem em seu nome de origem caribenha (maiz) o significado de “sustento de vida”. Seu uso era muito difundido tanto na alimentação básica (espiga in natura, grãos, pastas) como nos ritos religiosos e recebia vários tipos de cerimônias, por exemplo, antes de se comer, o milho era assado, e se alguma mancha ficasse no chão após este processo, um tipo de oração era feita como forma de se desculpar e evitar a vingança dos deuses. Os maias possuíam um deus do milho, que também estava ligado à morte, já que não podia criar a vida senão pela a morte. Os povos maias acreditavam ser originados do milho.
Os incas, por exemplo, tinham nos seus templos em adoração ao Sol, incrustações douradas representando espigas de milho. Quando praticavam sacrifícios, adornavam suas vítimas com penas muito belas e as serviam uma bebida chamada chicha, que consistia num fermentado de milho, ainda hoje apreciada.
O chilli recebeu o nome de pimenta devido ao sabor picante, parecido com a pimenta do reino. Esse nome foi dado por Cristóvão Colombo logo em sua 1ª jornada pelo Novo Mundo. Sua descoberta é atribuída aos povos antigos de onde hoje se situa o México e o norte da América do Sul.
Alguns antropólogos defendem que o homem iniciou o consumo de pimenta devido as suas propriedades antibacterianas, pois a maioria das pessoas que consomem a pimenta vive na faixa equatoriana terrestre, onde grande parte dos micróbios e bactérias se desenvolve com muita facilidade.
A batata originou-se nos Altiplanos Peruanos. Era muito consumida na América pré-hispânica e foi largamente difundida pela Europa após a colonização.
O chocolate teve origens nas planícies do sul do México. Em quase toda a sua história, o chocolate foi apreciado em sua forma líquida. Os maias consideravam a bebida dos deuses e, quando Carl Von Linné deu o nome cientifico ao cacaueiro se ateve a esse fato visto que, theobroma cacao vem do grego significando “alimento dos deuses”.

5. Pablo Neruda e os frutos da terra
Analisamos a partir do poema de Neruda elementos culinários da Nova Espanha e suas mudanças a partir da conquista espanhola. Nesse mesmo caminho cabe analisar também o papel integrador da comida e dos hábitos alimentares entre colonizados e colonizadores.
Os Frutos da Terra
Como sobe a terra pelo milho, buscando
leitosa luz, marfim endurecido,
a primorosa rede da espiga madura
e todo o reino de ouro que se vai debulhando!

Quero comer cebolas, traz-me do mercado
uma, um globo pequeno de neve cristalina,
que transformou a terra em cera e equilíbrio
como uma bailarina detida em seu vôo.
Dá-me umas codornizes de caça, cheirando
a musgo da selva, um pescado vestido
como um rei, destilando profundidade molhada
sobre a fonte,
abrindo pálidos olhos de ouro
sob o multiplicado mamilo dos limões.

Vamo-nos, e sob a castanheira a fogueira
deixará o seu tesouro branco sobre as brasas,
e um cordeiro com toda a sua oferenda irá
dourando
a sua linhagem até ser âmbar para a tua boca.

Dá-me todas as coisas da terra, torcazes
recém-tombadas, ébrias de cachos selvagens,
doces enguias que ao morrer, fluviais,
alongaram as suas pétalas diminutas,
e uma bandeja de ácidos ouriços
darão o seu alaranjado submarino
ao fresco firmamento das alfaces.

E antes que a lebre marinada
encha de aroma o ar do almoço
como silvestre fuga de sabores,
para as ostras do Sul, recém-abertas,
em seus estojos de esplendor salgado,
vai o meu beijo empapado nas substâncias
da terra que amo e que percorro
com todos os caminhos do meu sangue.
                                                                      
 Canto Geral, Pablo Neruda.[5]

            Na primeira estrofe Neruda apresenta o milho, alimento nativo da América, conforme vestígios pré-históricos no Vale Tehuacan (Sul do México), este possuía grande importância, tornando-se um objeto adorado. Na mesma estrofe o verso "reino de ouro que se vai debulhando", está ligado à destruição iniciada com a conquista, o termo debulhar representa o que se perdeu e o que vai se perdendo com o tempo.
            A cebola é uma especiaria essencial na comida americana que foi implantada em sua culinária pelos espanhóis. Ainda na segunda estrofe, o verso “transformou a terra em cera e equilíbrio como uma bailarina detida em seu vôo”, o sentido é de que o globo pleno (cebola) foi interrompido, como no caso da América que a partir da chegada dos colonizadores foi sufocada, “detida em seu vôo”, antes do processo colonizador já haviam desenvolvido calendários, a matemática, e técnicas agrícolas. Já as codornizes e o limão foram introduzidos pelos espanhóis, assim como vários tipos de carnes animais, cereal e etc.
            A castanha e o cordeiro, são alimentos também trazidos pelos europeus e assimilados pela cultura americana, “dourando a sua linhagem até ser âmbar”, com estes versos Neruda propõe um afastamento da cultura e características europeias para reafirmar a americana.
            No início da penúltima estrofe, o verso: “Dá-me todas as coisas da terra, torcazes/ recém-tombadas, ébrias de cachos selvagens”, novamente Neruda retoma a identidade americana, sua cultura e hábitos antes da conquista.
            Os ouriços, enguias, alfaces e as lebres, também foram introduzidos pelos espanhóis. Diferente das ostras, um produto da água e consumida pelos habitantes de Tenochtitlán, região abundante em água.
            Neruda encerra seu poema com “vai o meu beijo empapado nas substâncias/ da terra que amo e que percorro/ com todos os caminhos do meu sangue.” Estes versos evidenciam a herança dos habitantes da pré-conquista, sua cultura e hábitos que ainda permanecem nas “veias” dos latino-americanos. Mas não podemos deixar de lado a influência e os elementos introduzidos pelos colonizadores na Nova Espanha. Neste viés podemos destacar a diversidade cultural ainda presente nas regiões colonizadas e o papel integrador que a culinária exerceu, diferente de outros elementos, deste modo podemos considerar que houve um enriquecimento cultural de ambas as nações.
            Nascido em 1904 no Chile, Pablo Neruda (Neftalí Ricardo Reys) foi um grande poeta, trazia em suas obras as circunstâncias do povo latino-americano, deixando clara sua corrente marxista e revolucionária. De 1921 a 1940, Neruda leva uma intensa vida política em pública e acaba sendo indicado à Presidência da República em 1969 – honra que renuncia em favor de Allende. Em 1950 é publicado Canto Geral, menos lírico e mais simples, Neruda deseja ser lido por trabalhadores operários, e ao mesmo tempo é uma crítica ao imperialismo americano e inspirado nos movimentos de resistência. Recebe o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Pablo Neruda morre em 23 de Setembro de 1973 em Santiago do Chile.

6. Conclusão
A partir da chegada do espanhol à América houve um processo de exclusão e incorporação cultural, originando uma nova tradição que influencia e define a posição dos povos latino-americanos até hoje.
A integração avança a partir de fenômenos culturais que basicamente são espontâneos, assim como o índio aprendeu a lutar contra o invasor europeu e assimilar as técnicas introduzidas pelos conquistadores, como usar arma de fogo e montar a cavalo, adquiriu também alguns dos costumes da culinária destes, incorporando em seu cotidiano alimentos comumente usados pelos europeus.
A culinária Européia deve muito a descoberta do Novo Mundo, sua culinária hoje tem muita influência de alimentos trazidos de lá. Principalmente do chocolate e do milho. O que dizer então da batata, do tomate…?
É claro que a culinária hispano-americana sofreu interferência espanhola, mas a culinária e produtos pré-colombianos asseguraram que mesmo com todos os meios que os espanhóis usaram para tornar os nativos “europeus”, por mais que “negassem” que os índios fossem mais espertos a sua dominação, por mais que “matassem” sua cultura e os próprios, ficaria na cultura do próprio espanhol, do próprio europeu, enraizada uma lembrança indígena que não se imaginam mais sem:  a comida.
Estudar a “cocina” hispano-americana, no geral, é mostrar que ao mesmo tempo em que os espanhóis mudaram a dieta das novas terras, essas também mudaram a deles. É mostrar que não foi só o espanhol que mudou a vida dos índios com a sua colonização, mas os índios também mudaram a vida dos colonizadores.
Podiam-se buscar outros meios de mostrar essa relação, mas, quando sentamos e vamos comer uma salada de tomate, depois um creme de milho e de sobremesa um chocolate não paramos pra pensar que temos na nossa frente uma história de colonização.
Seria precipitado dizer que os índios reagiram bem a comida espanhola e vice-versa.  Mundos diferentes, paladares diferentes.
Aqui se estabelecia uma dieta com pouca proteína animal, mais baseada em legumes e cereais, enquanto os espanhóis tinham uma dieta carnívora.
Os espanhóis, então, introduziram na dieta local a carne (e os derivados da proteína animal), o trigo, o açúcar, enfim, inúmeros genêros alimentares.
Todos esses fatores evidenciam, então, que há de se considerar que existem detalhes cotidianos que, muitas vezes imperceptíveis pela maioria da população contemporânea, constituem fortes pontos de análise da sobrevivência cultural das civilizações, independente da forma com que estas foram colonizadas e sofreram com as intenções e imposições de seus colonizadores. Aspectos minunciosos do que se vive hoje representam uma junção de culturas distintas constituindo, portanto, um leque de pluralidades que reflete um processo de diversificação cultural a partir de descobertas e dominações territoriais.




Referências Bibliográficas:
FAVRE, Henri. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
LONG, Janete. Conquista y Comida: Consecuencias del Encuentro de Dos Mundos. México: Universidad Nacional Autónoma de México Ciudad Universitaria, 2003.
NERUDA, Pablo. Canto Geral. Editora Bertrand Brasil.
RUIZ, Rafael. Francisco Vitoria e os direitos dos índios americanos. Porto Alegre: Edipucrs – Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2002.
BEYHAUT, Gustavo. Dimensão Cultural da Integração na América Latina.
DIETERICH, Heinz. Nuestra America Contra El V Centenario. Navarra: Txalaparta, 1992.

Outras Referências:
Science Magazine
(Disponível em: http://www.sciencemag.org/content/315/5814/986.full)
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias – UFSC
(Disponível em: http://www.tcc.cca.ufsc.br/agronomia/ragr033.pdf)
Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo
(Disponível em: http://www.iea.usp.br/iea/evolusociais/barghinimilho.pdf)
http://www.elmexicano-rs.com.br




[1] RUIZ, Rafael. Francisco Vitoria e os direitos dos índios americanos. Porto Alegre: Edipucrs – Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2002, p. 80.
[2] LONG, Janete. Conquista y comida: consecuencias Del encuentro de dos mundos. México, Universidad Nacional Autónoma de México Ciudad Universitaria, 2003.
[3]  LONG, Janete. Conquista y comida: consecuencias Del encuentro de dos mundos. México, Universidad Nacional Autónoma de México Ciudad Universitaria, 2003.


[4] MAXWELL, Kenneth. Chocolate, piratas e outros malandros: ensaios tropicais. São Paulo: Paz e Terra, 1999, p. 57.
[5] NERUDA, Pablo. Canto Geral. Editora Bertrand Brasil.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A História da alimentação na sociedade do hedonismo.


Por Jessé A. Chahad
Alimentação e sociedade

O caráter primário aqui atribuído à alimentação então seria o caráter biológico, o da necessidade de se alimentar.
Parece-me razoável acreditar na teoria tradicional contida nos livros didáticos de História, na qual o homem primitivo, sua a afirmação como grupo dominante, e a reprodução da espécie humana foram proporcionados pelo aprendizado da agricultura através da prática da observação[1].
O plantio aliado à caça formaria as bases da cultura da alimentação humana, e proporcionaria o desenvolvimento de novas ferramentas, demanda das novas práticas alimentares[2]. A elaboração de bebidas e alimentos preparados cozidos é um exemplo.
O próprio conceito de sociedade pode ter surgido a partir da socialização dos alimentos, uma vez que em grupo, os homens deveriam administrar os recursos de maneira a fortalecer o todo. A domesticação e cultivo passaram a gerar excedentes, que eram distribuídos em banquetes, e marcavam a celebração da colheita. Esse é o segundo aspecto ou caráter da alimentação a ser demonstrado aqui, o caráter social, ou agregador.
Alguns historiadores chegam a classificar a sociedade como fundamentalmente agrícola, principalmente a partir do século IX, levando em consideração o estabelecimento do sistema feudal, que proporcionaria o renascimento do comércio e um novo salto no progresso da civilização[3]. As especiarias assumem papel importante na história da alimentação, pois agregam valor simbólico antes inexistente a diversos alimentos, e seu comércio nas grandes navegações era destinado em sua maioria a um comércio de luxo, praticado durante a Idade Média e intensificado na era moderna. Diversos alimentos de usos restritos as camadas da aristocracia conferiam uma diferenciação social criada a partir de práticas alimentares.
O País da Cocanha, lugar utópico festivo, onde a comida seria abundante e o trabalho não seria necessário, onde existiriam rios de leite e de vinho, queijos e pães seriam obtidos sem dificuldade era não apenas uma utopia strictu sensu, mas um sonho que às vezes era perseguido como real pelos europeus.
Com a descoberta do novo mundo, criou-se uma possibilidade de reprodução do paraíso na Terra, sonho perseguido pelos cristãos, recém saídos da Idade Média e que agora poderiam enfim encontrar a Cocanha, a terra abundante de alimentos, festas, orgias que agora poderia lhe pertencer.
Sabemos através de várias fontes que a fome era uma dificuldade enfrentada sempre, quase que de forma cíclica pela população[4], e a natureza era muitas vezes severa sendo uma dificuldade a ser superada pelo homem para garantir a sua sobrevivência[5]. O clima temperado, frio, as chuvas fortes eram responsáveis pela pouca incidência de alimentos e consequentemente pelo enfraquecimento sistemático mesmo no sentido biológico da raça humana, sendo normal em escavações o alto número de restos mortais de pessoas com estaturas franzinas e deficiência de cálcio, uma característica que durante algum tempo foi quase que um estigma acoplado ao da fome: a subnutrição.
A onda de fome de 1315 alcança um número de mortos que apesar das divergências em relação a sua exatidão, a historiografia concorda que foram altos, maiores que a de outras ondas de fome anteriores[6]e marca uma ruptura em um processo de crescimento demográfico que havia lhe antecedido. Em suma, nesse período de breve crescimento demográfico, não cresceu paralelamente a produção de alimentos, e nem o avanço tecnológico necessário para isso[7], o que poderia explicar o surto de fome, que sempre reforça a idéia de se ter uma esperança relacionada a um futuro melhor, em um país imaginário, ou ainda no paraíso propriamente dito, visto que uma vida de sacrifícios era recompensada teoricamente com um lugar no céu cristão.

Os estudos dedicados aos herbários da era Moderna revelam que eram um tipo de publicação muito difundido no período, e tratava dos domínios animais, vegetais e minerais[8]. A história do desenvolvimento da botânica, da farmacologia se confunde com a história da alimentação, se considerar essas plantas como alimento. A palavra droga, deriva do termo holandês drug, que durante muito tempo foi usado para designar produtos secos, como nozes ou pimentas.
A partir da industrialização do sistema capitalista, mais uma vez os hábitos alimentares passariam por uma transformação. O período de guerras incrementou as pesquisas que buscavam uma solução para uma possível crise de falta de alimentos, dentro do contexto de catástrofe eminente criado pela Guerra fria. Os alimentos sintetizados supririam a demanda emergencial do contexto bélico na pior das hipóteses, porém ao final do conflito, com a vitória do capitalismo, tais pesquisas não poderiam ser desperdiçadas, e assim os alimentos industrializados precisariam ser difundidos na sociedade.
A evolução da ciência farmacêutica, portanto acompanhou o processo de sintetização pelo qual também a alimentação após as revoluções industriais. As ciências naturais foram suplantadas pela ciência industrial, e hoje qualquer prática que se utiliza dos conhecimentos antigos sobre curas a base de ervas ou alimentos é vista como puro charlatanismo e descrença. Claro que durante a Idade Média a Igreja deu inicio ao extermínio de religiões que se utilizavam das ciências naturais, mas após a revolução higienista foi o estado que se apropriou do monopólio da cura, com o estabelecimento da medicina moderna como ciência inquestionável.

Drogas e bebidas na sociedade hedonista.

Dentro do horizonte sugerido, o uso de drogas e bebidas também varia de acordo com o contexto histórico. O vinho desde tempos inomináveis foi utilizado no sentido de busca de prazer, mas sempre dentro do contexto também alimentício, pois acompanhava o banquete. A busca pelo prazer então não estava relacionada diretamente ao consumo do vinho, mas sim ao consumo em grupo e motivado por um evento comemorativo. O mito antigo de Dionísio já alertava que o vinho deveria ser diluído em água, a fim de evitar a embriagues, e exercer o autocontrole. O vinho, ou o uso do vinho no mundo clássico era então sinônimo de responsabilidade.
Certas drogas, por sua vez foram largamente utilizadas com sentido religioso por diversas civilizações, explorando suas propriedades alucinógenas em práticas rituais, em busca do contato com o sagrado, ou divino. Na América, temos o uso dessas substâncias em todas as civilizações principais, Maias, Astecas e Incas, tanto no contexto religioso, quanto medicinal, dois planos que então não se separavam[9].
Se utilizarmos um anacronismo a nosso favor, pensando no campo da história, onde a problematização do passado se dá a partir de paradigmas do presente, o uso religioso, medicinal ou social foi suplantado pelo uso em busca do prazer individual e imediato, hedonista, fruto da sociedade extremamente individualizada que carrega o fardo da ditadura da felicidade.
A ingestão de bebidas alcoólicas por si só já virou fator cultural, independente do caráter festivo ou reunião em grupo, mas não mais está ligada à idéia de responsabilidade, e sim pelo contrário, para se permitir ser irresponsável e aproveitar os efeitos da embriagues sem se preocupar com o mundo real. A propaganda divulgava o american way of life como modelo civilizatório e nele estava contida a idéia de prazer, conforto no sentido de ser feliz.
Ora, se o mundo pós-guerra estava destruído, a impossibilidade da felicidade real levava as pessoas à loucura, ou a busca de fuga de realidade, e as bebidas e drogas assumiam novos papéis. As bebidas ainda mais que as drogas, pois enquanto as drogas passaram por um processo de construção de preconceito e proibição que não serão aqui analisados, as bebidas têm a propaganda a seu lado e estão diretamente ligadas a idéia da busca do prazer.
Daí o desenvolvimento de inúmeras doenças crônicas ligadas ao conceito criado de escapismo, como dependência química ou alcoólica. No caso das drogas a proibição gerou problemas estruturais gravíssimos principalmente no terceiro mundo, pois a simples proibição obviamente não acabaria com a demanda da sociedade pelo seu consumo, visto que foi o próprio sistema capitalista pós moderno que levou a inversão de valores e de costumes, pois o escapista quer escapar de algo, e esse algo é o mundo que te obriga a ser feliz, mas não te dá condições materiais de alcançar a felicidade, ainda que fútil e fabricada para mascarar os horrores da guerra.
Para aqueles que não tem interesse no uso de bebidas e drogas em busca do prazer, o capitalismo encontrou a solução através da fetichização de outros alimentos em geral. Retomando a idéia de Braudel do luxo à mesa, e traduzindo o luxo na contemporaneidade por prazer, a criação de um mercado de alimentos que não mais ligados apenas à necessidade de nutrição, funcionam como as drogas e bebidas no sentido do escapismo. A proliferação da obesidade, doença antes considerada genética é evidencia de que a sociedade se alimenta de supérfluos, e essa necessidade vem suprir a demanda pelo prazer, que acontece de maneira legal e indiscriminada, ignorando os malefícios para o organismo, mas feliz em poder consumir aquele produto que a sociedade diz que você deve consumir para ser uma pessoa feliz, sempre com o auxilio da propaganda.
A história da alimentação então relacionada com historia social e cultural nos faz enxergar que os costumes e pratica alimentares da sociedade são parte do seu contexto histórico, e a reinvenção de valores ainda se dá a partir das camadas dominantes. Em tempos contemporâneos de superprodutividade, a fome e a miséria ainda resistem e se institucionalizaram para que pudessem exercer seu papel no sistema capitalista.
A busca pelo prazer nas camadas pobres é realizada pela simples presença da comida, enquanto a minoria abastada cria e recria modas e luxos a fim de buscarem também o seu prazer. Nos dois casos, a realização momentânea de um ato que trará felicidade e satisfação se encerra ao final da refeição. Se alimentar e se divertir ao mesmo tempo é o panis et circenses dos nossos dias que acomoda a sociedade, dando a impressão de estar plena e satisfeita com a nossa realidade apocalíptica e desigual.
Bibliografia

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OSGOOD, Robert E. (Org.) Os Estados Unidos e o mundo. Da Doutrina Truman ao Vietnã.São Paulo. Ibrasa. 1972.
[1]
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[2]
Derek BIRDSALL, Carlo CIPOLLA, The technology of man, p.29.

[3]
Henri PIRENNE, História econômica e social da Idade Média, p.15 a 30.

[4]
Hilário FRANCO JUNIOR, A utopia da abundancia: A Cocanha, p.26.

[5]
Georges DUBY, Guerreiros e camponeses. Primórdios do crescimento econômico europeu séc.VII a XII.,p.17.

[6]
Henri PIRENNE, Historia econômica e social da Idade Média, p.200.

[7]
Gerald A.J.HODGETT, Historia Social e Econômica da Idade Média, p125.

[8]
Henrique CARNEIRO, Amores e sonhos da flora, p.23.
[9]
Henrique CARNEIRO, Amores e sonhos da flora, p.177.