terça-feira, 8 de março de 2011

Deu água na boca!


Esse pão recheado numa tarde de domingo realmente poderia ter saído do forno aqui de casa, mas não saiu e assim como você eu também poderia ter sido convidada prá esse lanche da tarde, mas não fui né Anderson rsrsrsrs!
Calma lá, nem tudo está perdido, descolei a receita do pão e, caso alguém assim como eu, também tenha ficado com água na boca, Fica a Dica!

Memórias afetivas tem gosto de:

A comida definitivamente move o mundo e, para se certificar disso, basta observar o curso da história. Além de mover o mundo, a comida une as pessoas!!!
Assim como a história da humanidade, a história de cada um de nós também é marcada por diversos sabores, aqueles dos quais a gente repete a dose sempre que tem saudade, aqueles dos quais a hipótese de um reencontro é refutada com uma cara de nojo (como aquela que a gente faz quando bebe um gole de leite e sente um pedaço de nata na língua) ou aqueles que, mesmo não podendo sentir de novo tempos depois, a gente se lembra dele com a fidelidade do primeiro e inesquecível encontro.
O primeiro post dessa seção entra na categoria a gente repete sempre que tem saudade! Minha temporada em Assis tem vários sabores, valeria até uma sessão especial e como essa memória não é minha: com a palavra Shellida Duarte da Silva, colega de faculdade de Bady Bassitt/SP, porque é o tipo de coisa que a gente sabe sobre todo e qualquer unespiano: o nome, o curso e a cidade de onde ele veio!

segunda-feira, 7 de março de 2011

História Comestível da Humanidade

Quando pensamos em literatura a cerca da história da humanidade nos vem imediatamente à mente as cartilhas e apostilas pouco interessantes utilizadas nas salas de aula durante nossa formação básica que, temos que concordar, não passam de manuais engessados com pouca análise e muitas inverdades cômodas, o que nem vem ao caso no momento, falaremos disso outra hora, levemos em conta que este material  serviu apenas para nos fazer  registrar datas e nomes [o que fazemos sempre com muita dificuldade] a fim de prestar os exames de vestibular no final do extenso, mas nem sempre próspero, período escolar.
            O que os manuais não ensinam é que Há Várias Maneiras de Contar a História da Humanidade.
Claro que apresentaremos aqui uma proposta de análise da nossa história no universo tendo como ponto de referência a alimentação.
Parece loucura? Questione, então, Tom Standage, jornalista inglês editor de negócios da revista inglesa The Economist, autor do livro A história comestível da humanidade, segundo o qual os alimentos são uma espécie de chave para o passado. Neste trabalho Tom revela quanta influência alguns gêneros alimentícios tiveram sobre grandes conquistas e desastres, como guerras e temporadas de fome geral. Desde a fixação do homem na terra enquanto território, ou seja, desde que abandonamos a vida nômade, com surgimento da agricultura, há milhares de anos, a comida vem definindo estruturas sociais e divisões de classe, assim como é largamente responsável pela forma atual do mapa-múndi. Isso quer dizer que a história do mundo seria muito diferente se nossa relação com os alimentos fosse outra.
Mais que discutir o passado, o autor traz a tona temas atuais que se fazem desafios para o futuro, como a questão dos trangênicos e dos orgânicos e a iminente escassez de alimento para uma população em constante expansão.  
Em entrevista para a revista Época no final do ano de 2009, Tom Stage declara:
“Não acho que a comida tenha sido o único fator a influenciar os rumos da história, mas teve papel importante. O mundo como o conhecemos hoje foi moldado pela nossa relação com os alimentos. A comida sempre funcionou como um catalisador de transformação social. A estratificação da sociedade entre pobres e ricos, a divisão das pessoas em diferentes profissões, o desenvolvimento industrial, os conflitos militares, a competição geopolítica e econômica – tudo tem como base os alimentos. A civilização foi determinada por nossa alimentação. A organização em cidades – o significado real de civilização – tem raízes na forma como produzimos alimentos.”


O livro tem cerca de 280 páginas e custa em torno de trinta reais. Um ótimo exercício para a lição: Há várias maneiras de contar uma mesma história. Pratique.
Fica a dica. 

Torta de Limão, chocolate e merengue.

Pra um convite de última hora
No último domingo acordo com o telefone tocando. Era um convite para o almoço de última hora.
Piegas ou não, mamãe nos ensinou a NUNCA chegar à casa alheia de mãos vazias. Precisava pensar rápido, pois quem me conhece sabe que meu esporte de destaque é DORMIR, logo, a hora do almoço estava muito mais próxima que a do café da manhã – rs.
Se tem algo que sempre tem em casa é leite condensado. “Sobremesa rápida, sobremesa rápida.” Olhei para meu cachorro e pensei: Torta de limão. Logo postarei uma foto dele, vocês verão que a piada é auto-explicativa. Tinha apenas um problema, no último almoço em família eu já tinha improvisado com uma dessas, teria que me virar numa variação, não é que havia sobrado metade de uma barra de chocolate de uma receita anterior?! Bom pra mim! FICA A DICA e segue a receita. Juro que é muito fácil.
Utensílio:
Forma de fundo removível de 22cm de diâmetro
Batedor de clara [batedeira, manual, ou mixer]
Processador de alimentos [ou liquidificador]
Ingredientes:
Para a massa
1 pacote de bolacha [ou biscoito, antes que venham as piadas] do tipo Maisena, Maria, de Nata ou afim;
200g de manteiga ou margarina gelada
Para o creme de chocolate
200g de chocolate de sua preferência [eu usei o blend = ao leite com meio amargo]
1 caixinha de creme de leite
Para o creme de limão
2 limões [suco de]
1 lata de creme de leite
1 lata de leite condensado
4 gotas de corante alimentício verde [se não tiver em mãos não tem o menor problema]
Para a cobertura [merengue]
2 claras batidas em neve
3 ou 4 colheres de açúcar
Modo de preparo
1.       1.Triturar o biscoito, juntar a margarina, misturar bem até formar uma farofa. Espalhar na forma [de fundo removível] no fundo e nas laterais a uma altura de meia forma. Levar para assar em forno pré-aquecido baixo por cerca de 5 minutinhos. Retirar o forno e reservar. Mantenha o forno ligado numa temperatura baixa.
2.    2.  Para o creme de chocolate é preciso picar o chocolate e derretê-lo [ou em banho-maria ou no microondas] e juntar o creme de leite com soro e tudo, misturar até que fique homogêneo.
3.      3. Para o creme de limão é só misturar os três ingredientes até que fique homogêneo.
4.     4.  Para a cobertura é só bater as claras até o ponto de neve, acrescentar o açúcar e voltar a bater por mais 1 minutinho, se preferir pode adicionar gotas de sua essência favorita.
5.      5. Derrame sobre a massa o creme de chocolate, depois o de limão, finalize com o merengue. Leve ao forno até que a cobertura esteja dourada. Atenção, pois o merengue doura bem rapidinho.
6.       Espere esfriar [tive que levar ao freezer, já que tinha pouco tempo] e sirva.

Obs: quem não tiver chocolate em casa, exclua o creme de chocolate e faça só o de limão 
 fica muito bom também.




Por: Evelyn

PRATODODIA

PRATODODIA!
Antes da criação deste blog tínhamos o costume [que acredito que não vá morrer – rs] de publicar imagens de nossos pratos no facebook, alguns amigos curiosos e interessados nos pediam as receitas e\ou levantavam dúvidas a respeito, o que acabava por gerar posts com diversos comentários. Outros amigos [de dieta, restrição alimentar e\ou invejinha – não sei] passaram a nos  CENSURAR e, para que não mais nos sentíssemos profanadoras das dietas sagradas decidimos então criar este espaço no qual entra quem quiser, participa quem gostar e copia as receitas quem tem interesse, mas AVISO LOGO, temos mente de gordinha e se o objetivo não for quebrar a dieta pulem o marcador PRATODODIA. No mais, estamos à disposição para sanar dúvidas, receber comentários, dicas e sugestões. Abraço a todos e Manja que te fa bene. 

Brincando com Comida

 Quantas foram às vezes que ouvimos uma mãe (nossa ou a de outrem) dizer: “Menino, é muito feio brincar com a comida! Fique quieto e coma tudo!”?
A Chinesa Ju Duoqi nos mostra que era tudo uma GRANDE BALELA. A matéria da BBC Brasil de 27 de maio de 2009 (que segue a baixo) apresenta a artística que produz trabalhos plásticos tendo como principal suporte verduras e legumes utilizando de toda a sua delicadeza e conhecimentos técnicos artísticos para recriar importantes obras de arte do imaginário mundial.
A obra que ilustra nosso humilde  blog é intitulada de A LIBERDADE GUIANDO OS LEGUMES, versão pra lá de bem humorada do célebre quadro de Eugène Delacroix A LIBERDADE GUIANDO O POVO.
Brincando com comida, literalmente, outros artistas também criam e recriar obras que alimentam nosso legado cultural, além de mostrar que até folhas murchas de verduras e uma simples pasta de amendoim têm seu valor plástico.
Nosso exemplo nacional mais ilustre é a produção de Vik Muniz, que com grande destreza transforma tudo o que passa pela sua frente em obra de arte, inclusive gêneros alimentício. Detalhe para MONA LISA DE GELÉIA DE UVA E MONA LISA DE MANTEIGA DE AMENDOIM, criadas em1999 Será que alguém tem coragem de meter a colher?


É FEIO BRINCAR COM COMIDA? 
FICA A DICA!

ARTISTA CHINESA RECRIA OBRAS FAMOSAS COM LEGUMES
A artista chinesa Ju Duoqi gosta de brincar com comida. Tanto que ela recriou telas de artistas famosos posicionando com cuidado batatas, gengibre, couve, tofu, cebolas e pepinos.
E ela usa obras como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, e O Beijo, de Klimt.
As fotos das obras de Ju Duoqi foram reunidas em uma coleção que ela chamou de Museu do Legume, que está exposta na Galeria de Fotografia Paris-Pequim, na capital chinesa.
A artista descobriu que legumes e verduras não tinham apenas valor nutricional, mas também artístico, há cerca de três anos.
"No verão de 2006, eu comprei alguns quilos de ervilhas e fiquei sentada lá, quietinha, por dois dias, descascando, antes de colocá-las em um arame e transformá-las em uma saia, uma blusa, um adereço para a cabeça e uma varinha mágica. Eu usei controle remoto para tirar uma foto de mim mesma vestida com eles", contou Ju Duoqi.
As diferentes formas e cores dos vegetais, com um pouco de arranjo, alimentam a imaginação da artista. Mas ela não usa apenas frutas e legumes frescos - secos, murchos, em conserva, fritos ou fervidos também são usados no trabalho.
Ela associa os legumes e verduras à vida doméstica e disse que achou "uma forma de vida para as mulheres que adoram a casa".
Ju Duoqi nasceu em 1973, em Chongqing, e estudou na Escola de Belas Artes de Sichuan.


A História da alimentação na sociedade do hedonismo.


Por Jessé A. Chahad
Alimentação e sociedade

O caráter primário aqui atribuído à alimentação então seria o caráter biológico, o da necessidade de se alimentar.
Parece-me razoável acreditar na teoria tradicional contida nos livros didáticos de História, na qual o homem primitivo, sua a afirmação como grupo dominante, e a reprodução da espécie humana foram proporcionados pelo aprendizado da agricultura através da prática da observação[1].
O plantio aliado à caça formaria as bases da cultura da alimentação humana, e proporcionaria o desenvolvimento de novas ferramentas, demanda das novas práticas alimentares[2]. A elaboração de bebidas e alimentos preparados cozidos é um exemplo.
O próprio conceito de sociedade pode ter surgido a partir da socialização dos alimentos, uma vez que em grupo, os homens deveriam administrar os recursos de maneira a fortalecer o todo. A domesticação e cultivo passaram a gerar excedentes, que eram distribuídos em banquetes, e marcavam a celebração da colheita. Esse é o segundo aspecto ou caráter da alimentação a ser demonstrado aqui, o caráter social, ou agregador.
Alguns historiadores chegam a classificar a sociedade como fundamentalmente agrícola, principalmente a partir do século IX, levando em consideração o estabelecimento do sistema feudal, que proporcionaria o renascimento do comércio e um novo salto no progresso da civilização[3]. As especiarias assumem papel importante na história da alimentação, pois agregam valor simbólico antes inexistente a diversos alimentos, e seu comércio nas grandes navegações era destinado em sua maioria a um comércio de luxo, praticado durante a Idade Média e intensificado na era moderna. Diversos alimentos de usos restritos as camadas da aristocracia conferiam uma diferenciação social criada a partir de práticas alimentares.
O País da Cocanha, lugar utópico festivo, onde a comida seria abundante e o trabalho não seria necessário, onde existiriam rios de leite e de vinho, queijos e pães seriam obtidos sem dificuldade era não apenas uma utopia strictu sensu, mas um sonho que às vezes era perseguido como real pelos europeus.
Com a descoberta do novo mundo, criou-se uma possibilidade de reprodução do paraíso na Terra, sonho perseguido pelos cristãos, recém saídos da Idade Média e que agora poderiam enfim encontrar a Cocanha, a terra abundante de alimentos, festas, orgias que agora poderia lhe pertencer.
Sabemos através de várias fontes que a fome era uma dificuldade enfrentada sempre, quase que de forma cíclica pela população[4], e a natureza era muitas vezes severa sendo uma dificuldade a ser superada pelo homem para garantir a sua sobrevivência[5]. O clima temperado, frio, as chuvas fortes eram responsáveis pela pouca incidência de alimentos e consequentemente pelo enfraquecimento sistemático mesmo no sentido biológico da raça humana, sendo normal em escavações o alto número de restos mortais de pessoas com estaturas franzinas e deficiência de cálcio, uma característica que durante algum tempo foi quase que um estigma acoplado ao da fome: a subnutrição.
A onda de fome de 1315 alcança um número de mortos que apesar das divergências em relação a sua exatidão, a historiografia concorda que foram altos, maiores que a de outras ondas de fome anteriores[6]e marca uma ruptura em um processo de crescimento demográfico que havia lhe antecedido. Em suma, nesse período de breve crescimento demográfico, não cresceu paralelamente a produção de alimentos, e nem o avanço tecnológico necessário para isso[7], o que poderia explicar o surto de fome, que sempre reforça a idéia de se ter uma esperança relacionada a um futuro melhor, em um país imaginário, ou ainda no paraíso propriamente dito, visto que uma vida de sacrifícios era recompensada teoricamente com um lugar no céu cristão.

Os estudos dedicados aos herbários da era Moderna revelam que eram um tipo de publicação muito difundido no período, e tratava dos domínios animais, vegetais e minerais[8]. A história do desenvolvimento da botânica, da farmacologia se confunde com a história da alimentação, se considerar essas plantas como alimento. A palavra droga, deriva do termo holandês drug, que durante muito tempo foi usado para designar produtos secos, como nozes ou pimentas.
A partir da industrialização do sistema capitalista, mais uma vez os hábitos alimentares passariam por uma transformação. O período de guerras incrementou as pesquisas que buscavam uma solução para uma possível crise de falta de alimentos, dentro do contexto de catástrofe eminente criado pela Guerra fria. Os alimentos sintetizados supririam a demanda emergencial do contexto bélico na pior das hipóteses, porém ao final do conflito, com a vitória do capitalismo, tais pesquisas não poderiam ser desperdiçadas, e assim os alimentos industrializados precisariam ser difundidos na sociedade.
A evolução da ciência farmacêutica, portanto acompanhou o processo de sintetização pelo qual também a alimentação após as revoluções industriais. As ciências naturais foram suplantadas pela ciência industrial, e hoje qualquer prática que se utiliza dos conhecimentos antigos sobre curas a base de ervas ou alimentos é vista como puro charlatanismo e descrença. Claro que durante a Idade Média a Igreja deu inicio ao extermínio de religiões que se utilizavam das ciências naturais, mas após a revolução higienista foi o estado que se apropriou do monopólio da cura, com o estabelecimento da medicina moderna como ciência inquestionável.

Drogas e bebidas na sociedade hedonista.

Dentro do horizonte sugerido, o uso de drogas e bebidas também varia de acordo com o contexto histórico. O vinho desde tempos inomináveis foi utilizado no sentido de busca de prazer, mas sempre dentro do contexto também alimentício, pois acompanhava o banquete. A busca pelo prazer então não estava relacionada diretamente ao consumo do vinho, mas sim ao consumo em grupo e motivado por um evento comemorativo. O mito antigo de Dionísio já alertava que o vinho deveria ser diluído em água, a fim de evitar a embriagues, e exercer o autocontrole. O vinho, ou o uso do vinho no mundo clássico era então sinônimo de responsabilidade.
Certas drogas, por sua vez foram largamente utilizadas com sentido religioso por diversas civilizações, explorando suas propriedades alucinógenas em práticas rituais, em busca do contato com o sagrado, ou divino. Na América, temos o uso dessas substâncias em todas as civilizações principais, Maias, Astecas e Incas, tanto no contexto religioso, quanto medicinal, dois planos que então não se separavam[9].
Se utilizarmos um anacronismo a nosso favor, pensando no campo da história, onde a problematização do passado se dá a partir de paradigmas do presente, o uso religioso, medicinal ou social foi suplantado pelo uso em busca do prazer individual e imediato, hedonista, fruto da sociedade extremamente individualizada que carrega o fardo da ditadura da felicidade.
A ingestão de bebidas alcoólicas por si só já virou fator cultural, independente do caráter festivo ou reunião em grupo, mas não mais está ligada à idéia de responsabilidade, e sim pelo contrário, para se permitir ser irresponsável e aproveitar os efeitos da embriagues sem se preocupar com o mundo real. A propaganda divulgava o american way of life como modelo civilizatório e nele estava contida a idéia de prazer, conforto no sentido de ser feliz.
Ora, se o mundo pós-guerra estava destruído, a impossibilidade da felicidade real levava as pessoas à loucura, ou a busca de fuga de realidade, e as bebidas e drogas assumiam novos papéis. As bebidas ainda mais que as drogas, pois enquanto as drogas passaram por um processo de construção de preconceito e proibição que não serão aqui analisados, as bebidas têm a propaganda a seu lado e estão diretamente ligadas a idéia da busca do prazer.
Daí o desenvolvimento de inúmeras doenças crônicas ligadas ao conceito criado de escapismo, como dependência química ou alcoólica. No caso das drogas a proibição gerou problemas estruturais gravíssimos principalmente no terceiro mundo, pois a simples proibição obviamente não acabaria com a demanda da sociedade pelo seu consumo, visto que foi o próprio sistema capitalista pós moderno que levou a inversão de valores e de costumes, pois o escapista quer escapar de algo, e esse algo é o mundo que te obriga a ser feliz, mas não te dá condições materiais de alcançar a felicidade, ainda que fútil e fabricada para mascarar os horrores da guerra.
Para aqueles que não tem interesse no uso de bebidas e drogas em busca do prazer, o capitalismo encontrou a solução através da fetichização de outros alimentos em geral. Retomando a idéia de Braudel do luxo à mesa, e traduzindo o luxo na contemporaneidade por prazer, a criação de um mercado de alimentos que não mais ligados apenas à necessidade de nutrição, funcionam como as drogas e bebidas no sentido do escapismo. A proliferação da obesidade, doença antes considerada genética é evidencia de que a sociedade se alimenta de supérfluos, e essa necessidade vem suprir a demanda pelo prazer, que acontece de maneira legal e indiscriminada, ignorando os malefícios para o organismo, mas feliz em poder consumir aquele produto que a sociedade diz que você deve consumir para ser uma pessoa feliz, sempre com o auxilio da propaganda.
A história da alimentação então relacionada com historia social e cultural nos faz enxergar que os costumes e pratica alimentares da sociedade são parte do seu contexto histórico, e a reinvenção de valores ainda se dá a partir das camadas dominantes. Em tempos contemporâneos de superprodutividade, a fome e a miséria ainda resistem e se institucionalizaram para que pudessem exercer seu papel no sistema capitalista.
A busca pelo prazer nas camadas pobres é realizada pela simples presença da comida, enquanto a minoria abastada cria e recria modas e luxos a fim de buscarem também o seu prazer. Nos dois casos, a realização momentânea de um ato que trará felicidade e satisfação se encerra ao final da refeição. Se alimentar e se divertir ao mesmo tempo é o panis et circenses dos nossos dias que acomoda a sociedade, dando a impressão de estar plena e satisfeita com a nossa realidade apocalíptica e desigual.
Bibliografia

BRAUDEL, Fernand. Civilização material e capitalismo. Séculos XV-XVIII. Rio de Janeiro. Edições Cosmos. 1970.

CARNEIRO, Henrique S. Amores e sonhos da flora. Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia. São Paulo. Xamã Editora. 2002.

HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos. O breve século XX. 1914-1991. São Paulo. Companhia das letras. 1994.

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de; CARNEIRO, Henrique S. A História da Alimentação: balizas historiográficas, in: Anais do Museu paulista. História e cultura material. São Paulo. Edusp. 1997. V5.

PARKER, Geoffrey. (Org.). Atlas da História do mundo. São Paulo. Time Books. 1995.

PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo. Editora Mestre Jou. 1968.

OSGOOD, Robert E. (Org.) Os Estados Unidos e o mundo. Da Doutrina Truman ao Vietnã.São Paulo. Ibrasa. 1972.
[1]
Geoffrey PARKER, Atlas da História do Mundo, p.35.

[2]
Derek BIRDSALL, Carlo CIPOLLA, The technology of man, p.29.

[3]
Henri PIRENNE, História econômica e social da Idade Média, p.15 a 30.

[4]
Hilário FRANCO JUNIOR, A utopia da abundancia: A Cocanha, p.26.

[5]
Georges DUBY, Guerreiros e camponeses. Primórdios do crescimento econômico europeu séc.VII a XII.,p.17.

[6]
Henri PIRENNE, Historia econômica e social da Idade Média, p.200.

[7]
Gerald A.J.HODGETT, Historia Social e Econômica da Idade Média, p125.

[8]
Henrique CARNEIRO, Amores e sonhos da flora, p.23.
[9]
Henrique CARNEIRO, Amores e sonhos da flora, p.177.