Um
semestre letivo inteiro de distância e aqui estou eu de novo. Estou dentro!
Ai
que saudade! São tantas dívidas, tantas pendências, tanto assunto pra colocar
em dia que decidi começar pelo final, embora seja também o começo.
Como
assim??? Pago minha primeira dívida com a última receita executada.
Tenho
percebido, ao longo de meus longos anos [........pausa para captar o som do
riso da platéia.......] que os livros de receita veem se transformando em relatos
históricos, antropológicos, pedagógicos. Verdadeiras cartilhas patrimoniais. O
que é incrível. Há muito tempo os livros nos trazem mais do que receitas, agora
nos oferecem experimentação cultural... Que nada mais é que o ar que eu
respiro.
Hoje
quem ganha a vez é a coleção da editora Globo denominada de O GOSTO BRASILEIRO. A queridíssima
sócia Kath presenteou a mim e a Vilma com um exemplar para cada de AS MELHORES RECEITAS DA COZINHA BAIANA.
Levando em consideração que ganhamos os
livros de presente de aniversário [que foi em setembro], dá pra se dimensionar
o tamanho do atraso.
É
claro que o livro tem muito mais do que o bom da mesa baiana. Tem uma seção que
trata dos aspectos históricos e culturais da cozinha na Bahia, as fotos dos
pratos são lindíssimas e, o que julgo ser o mais interessante, contêm um
glossário que apresenta os ingredientes que podem ser desconhecidos para quem
não é da região.
Comecei
pela receita que me parecia mais fácil.
Bolinhos de estudante: que leva esse nome por conta dos
ingredientes que são abundantes e baratos na Bahia, básico na mesa dos mais
humildes, aos quais se encaixam os estudantes. É, eu sei bem o que é isso [olhar
de melancolia!].
A
receita é bem simples. Confira abaixo:
mas... A
minha não deu o ponto de enrolar e eu não tinha mais tapioca [comprei a
quantidade certinha que pedia na receita, o que deixa a dica de comprar um
pouco mais para dar o ponto se necessário for].
As
amigas baianas que me perdoem, mas quem me conhece sabe que não sou de perder a
viagem, e já que não deu ponto, o jeito foi improvisar.
Fritei
a massa à colherada como se fossem bolinhos de chuva. Se ele grudar no fundo
[aconteceu com alguns], não entre em pânico, 10 segundinhos depois e encostando
um garfo ele solta.
Mas,
como mente gorda não tem limite e se tem uma coisa que me mata de preguiça é
fritura [na metade da massa já me dá vontade de fazer um bolotão e jogar de uma
vez só – #ALoka!], experimentei assar.
GENTE!!!!!
Pára tudo, pense em algo que nem deveria existir de tão bom que ficou...
coloquei em forminhas que cabiam uma colher de sopa de massa em cada, salpiquei
açúcar com canela e levei ao forno elétrico por cerca de 10 minutos [foi quando
vi que as laterais estavam douradas]. Só consegui pensar o que seria de mim se
jogasse uma bola de sorvete encima. Mentalizei o mantra “O vestido tem que
entrar em duas semanas” e consegui me livrar do encosto da gula.
Tá!
Pra quem defende o patrimônio e tal, eu altero demais as receitas alheias... É,
essa sou eu e meu 15º sobrenome é PARADOXO.
Baianas,
me perdoem... mas ficou muito bommmmmmmmmmmmmmmmmmmmm.